quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Aqui está o primeiro capítulo do meu livro, para vocês ficarem com gostinho de quero mais :)

1.           Desconhecido
Era quase meia noite e eu ainda não conseguia dormir, pensando no dia seguinte que seria cheio.
Primeiro: seria meu aniversário, sete de janeiro. Segundo: começaria as aulas dali a uma semana no máximo. Eu iria encarar o desconhecido novamente. Era uma tortura, todos os anos, essa mesma história. Meus dezesseis anos não seria diferente dos meus quinze. Tudo seria igual como no ano passado.
Eu perdia as esperanças de mudanças boas desde meus nove anos. Eu sempre achava que o ano que se surgia seria um ano de novas descobertas, pessoas novas, novos desafios, mas na realidade tudo permanecia igual.
Minha mãe como sempre no seu salão de beleza, meu pai em seu amável restaurante que conseguira, já eram quatro anos de apegamento a esse restaurante. E eu como sempre em casa. Tudo que meu pai e minha mãe conseguiram com seus novos empregos favoritos fora a reforma da casa e comprar um carro de segunda mão, um Toyota Tercel.
- Pai, não precisava de presente – eu disse meio sem jeito.
- Seu pai só quis te presentear, querida – disse minha mãe com a voz doce.
Ele me entregou uma caixa pequena e nela havia uma câmera fotográfica cor preta.
- É maravilhoso! Obrigada, pai.
- Que bom que gostou querida, agora sua mãe irá te dar o outro.
- Outro? E tem outro?
- Claro. Não muito valioso como o do seu pai, mas irá te servir. Um álbum. Um álbum para você guardar cada recordação bonita de sua vida, afinal, é começo de ano. Tudo pode acontecer!
- Obrigada, mãe. Obrigada, pai.

Tomei meu café-da-manhã despreocupada. Já mais tranquila. Meus pais saíram logo que terminaram o café. Fiz o almoço e limpei a casa, quase cai da escada quando eu a lavava. Lavei a varanda também e depois de ter arrumado a casa toda, fui tomar banho. Lavei o cabelo que já estava precisando e escovei os dentes, troquei de roupa rapidamente e penteei meu cabelo desgrenhado.
Fui até o guarda-chaves da sala e peguei a chave do Toyota Tercel. Eu estava disposta a ir ao supermercado e passar no restaurante antes de voltar para casa. Já era quase meio dia, então me apressei em ir ao supermercado antes que ele fechasse. Liguei o motor do carro e me direcionei ao mercado mais próximo.
Meu cabelo ainda molhado pingava em minha calça jeans. Já em frente ao mercado desliguei o motor do carro, peguei o dinheiro e sai.
A moça de cabelo preto sorriu para mim ao lado de um grandioso carro, uma Land Rover cor preta que reluzia ao sol forte. Rapidamente retribuí o sorriso. A moça de aparência jovial estava acompanhada de um belo jovem de cabelos cacheados cor de ouro, pele branca e olhos verdes como de esmeralda. Intimidei-me um pouco ao vê-lo e em saber que ele estava me encarando, tão sério e sem expressão alguma no rosto.  O pior de tudo é que eu tinha que passar por eles para poder entrar no mercado. Ergui a cabeça e segui em frente.
Comprei todas as coisas que precisava para o almoço. No caminho de volta para casa passei de volta no restaurante do meu pai.
- Oi, querida. O que houve? Quer comer alguma coisa?
- Não, pai. Já comprei meu almoço, só passei aqui pra dizer um oi.
- Está tudo bem mesmo? – ele quis saber.
- Tá sim, tchau!
- Emilly! – ele chamou.
- Sim?
- Tenha cuidado.
- Está bem, pai. Está bem.
Liguei o carro e fui em direção a minha casa. Fui com toda velocidade. Liguei o rádio e estava tocando uma música legal que eu conhecia.
Me empolguei e comecei a cantar bem alto. Quando dei por mim eu tinha perdido o controle do volante e vi uma pessoa parada no meio da pista. Mas tarde demais, minha consciência não lembrou do freio.
- Oh, meu Deus! – gritei desesperada. Consegui pisar no freio, isso depois de já ter atropelado o desconhecido.
Sai de dentro do carro às presas e fui ver, temendo.
- Aí... – O rapaz reclamou.
Nossa! Graças a Deus ele estava vivo!
- Meu Deus! Você está bem?
- Bem, contando que você acabou de me atropelar... – Ele tentou se levantar.
- Espere aí, eu te ajudo.
- Obrigado... Aí! Meu braço! Muito obrigado por me atropelar, viu?!
- Quem mandou você ficar parado no meio da pista?!
- Eu só queria ter certeza que você era você mesmo, que eu pensasse que fosse...
- Ãh?! O quê?! Você bateu a cabeça.
- Você tem que me levar para sua casa...
- O quê?! Você é um desconhecido!
- Não, não sou...
- Você nem sabe quem sou, nem da minha família e eu muito menos de você!
Ele olhou para mim com o rosto cansado e sangrando e sorriu ironicamente.
- Por que está me olhando assim?
- Eu sei quem são seus pais. O bravo e protetor Samuel Graham, seu pai. A corajosa Gabrielle Charlotte Graham, sua mãe.
Arregalei os olhos. Como ele sabia? Isso era absolutamente estranho.
- Ligue para os seus pais e diga que estou aqui. Diga que é um membro da O.S. Organização Secreta.
Indaguei. Eu estava com medo de ligar, porém eu queria.
- Mais primeiro vamos para o carro, - ele disse - eu não quero queimar em pleno meio-dia!
Eu o ajudei a entrar no carro, peguei um pedaço de pano que tinha ali e o entreguei para limpar o sangue do rosto.
- Afinal, quem é você? – perguntei unindo as sobrancelhas.
- Guilherme Haskell, muito prazer senhorita Emilly Graham.
Engoli em seco.
- Você disse a poucos minutos de uma organização secreta, que organização secreta é essa?
- Ligue para seus pais primeiro e depois eu te digo tudo que você quiser saber...
- Primeiro fale...
- Emilly, você corre perigo, a cada minuto que se passa o Adam e a Cristina têm mais informações sobre você!
- Quem são Adam e Cristina?
- Você pergunta demais, sabia?
- E você não responde nenhuma das minhas perguntas.
- Emilly, por favor, ligue para seus pais, ligue.
- Tudo bem!
Peguei meu celular e liguei para minha mãe que estava no salão de beleza. Era loucura obviamente, um totalmente desconhecido saber seu nome e o nome de seus pais.
- Alô? Mãe? Mãe não pire, por favor, mas é que tem um garoto aqui comigo que diz que conhece você e o papai, ele sabe até seu nome e o do papai também... Ele disse que eu corro perigo, por favor, pode explicar o que está acontecendo, pelo amor de Deus!
- Querida! Não se assuste, ele, esse garoto, Guilherme, não é? Ele é seu guardião, filha, eu e o seu pai te explicaremos tudo quando chegarmos em casa, por enquanto fique com o Guilherme, leve-o lá para casa, entendeu? Não saia de perto dele!
- Ela desligou – eu disse olhando para ele boquiaberta.
- Aqui é Minas Gerais, não é?
- Claro que é! Mais que pergunta mais idiota!
Ele baixou a cabeça, agora triste.
- Desculpe. É que eu havia esquecido, tanto tempo morando numa sociedade secreta, a gente esquece do mundo lá fora...
Suas palavras soaram verdadeiras.
- Não, é... Tudo bem. Quem deve pedir desculpas sou eu. Eu te atropelei, não é?
Eu sorri um pouco.
- Não faz mal. Afinal eu sou bastante resistente, sou forte!
Isso dava para se notar a quilômetros, o garoto parecia o Huck! Ele era Tão musculoso e muito alto. Eu já era baixinha e perto dele eu sumia completamente. Girei a chave e fomos para minha casa. Novamente eu o ajudei, ele colocou seu braço direito ao redor de meus ombros e se apoiou um pouco em mim. Eu me perguntava oque os vizinhos iriam achar dessa cena. A senhora do 1875 em frente a minha casa com certeza iria se perguntar “O que essa moça está fazendo com esse rapaz desconhecido?”.
- Pronto! Chegamos – eu disse ao abrir a porta.
- Sua casa é muito bonita, Emilly.
- Obrigada. Agora vou te levar até o sofá.
O ajudei a sentar.
- Obrigado, Emilly. Será que você poderia me dar um pouco de água, estou com sede.
- Claro. Vou preparar meu almoço também, se você quiser comer, aposto que está com fome, mas primeiro eu creio que você precise de um banho. Faz ser bom para seus cortes, depois eu preparo uns curativos, tudo bem?
- Pode ser. Onde é o banheiro?
- Tem dois no andar de cima, mas acho melhor você ir para o da sala, assim você não precisa subir as escadas. Vem... Eu te ajudo a ir.
Caminhamos lentamente até o banheiro.
Corri até o quarto do papai e pegueis umas roupas limpas, só não sabia se iria servir nele, mas torcia para servir. Pus sobre o sofá e gritei:
- Quando terminar me avise! Ai lhe entrego roupas limpas!
- Certo! – ele respondeu.
Corri até o carro do lado de fora e peguei os ingredientes para meu almoço e para Guilherme. Na geladeira já havia uma macarronada feita, então coloquei no microondas para esquentar, depois peguei dois grandes hambúrgueres e coloquei-os na frigideira e comecei a torrá-los. Um lado já estava pronto, virei-os. Até que ouvi a voz do Guilherme.
- Emilly!
Corri.
- Pronto? – eu disse perto da porta do banheiro.
- Não, pegue meu celular, por favor, não quero que molhe.
- Ah, ok!
Fechei os olhos e senti sua mão molhada na minha, depois distingui o celular e peguei. Ouvi quando ele bateu a porta, abri os olhos.
O celular estava um pouquinho molhado, passei em minha blusa para secá-lo. Senti o cheiro de queimado.
- O Hambúrguer!
Fui depressa à cozinha e apaguei o fogo do fogão. O microondas já havia parado. Peguei a macarronada que tinha um cheiro bom. Um lado dos hambúrgueres estava totalmente queimado, eu me perguntava, “Como então pouco tempo? Num foi nem dois minutos que sai da cozinha”.
Abri a geladeira e bebi dois copos d’água. Sentei e respirei fundo. Que loucura era aquela? Que segredo meu pai e minha mãe escondiam de mim e todo esse tempo? Eu só queria dormir e quando acordar ver que tudo não passava de um pesadelo ou sonho ou sei lá oque! Mas não era.
- Emilly!
Entreguei as roupas limpas para ele. Até que caiu bem nele.
- Serviram – ele disse sorrindo.
Sorri também. Eu nem sabia, mas eu confiava naquele total desconhecido.
- Vamos almoçar? – eu disse.
- Só se for agora, estou com muita fome, mas primeiro quero beber água.
E eu lhe dei e ele bebeu cinco copos d’água, ele realmente estava com sede.
- Eu disse que estava com sede – ele disse dando um último gole e colocando o copo na bancada.
Eu pus macarronada num prato pra ele e noutro pra mim, ainda estava quente, fumaçava um pouquinho.
- Você gosta de música? – ele perguntou.
Ergui meus olhos, ele me olhou e me olhou, depois de um tempo foi que eu vim perceber que um macarrão estava fora de minha boca, rapidamente o engoli.
Pigarreei.
- Claro – eu disse por fim. – Por quê?
- Por nada não. Pelo menos você tem bom gosto. As meninas da comunidade não gostam muito, quero dizer, elas gostam, mas não como que para ouvir e sim para dançarem.
- Me fale um pouco dessa “tal” comunidade.
- Você quer saber mesmo? Então eu vou lhe contar, certo?
- Certo. Vamos, conte...

Nenhum comentário:

Postar um comentário